O Paraguai possui uma história rica no futebol e revelou grandes jogadores que marcaram época dentro e fora do país. Ao longo das décadas, diversos craques paraguaios se destacaram pela técnica, liderança e dedicação, ajudando a elevar o nome do futebol do país em competições internacionais e em grandes clubes ao redor do mundo.
Neste artigo, vamos relembrar cinco dos maiores jogadores da história do Paraguai, atletas que deixaram um legado importante para a seleção paraguaia e para o futebol mundial. Cada um deles contribuiu de forma única para construir a tradição e o respeito que o Paraguai conquistou no cenário do futebol.
5. José Luis Chilavert
José Luis Chilavert é considerado um dos goleiros mais marcantes da história do futebol. Conhecido não apenas pelas grandes defesas, mas também pela habilidade em marcar gols, ele é o segundo goleiro com mais gols na história do futebol, com 62 tentos, ficando atrás apenas de Rogério Ceni.
Nascido em uma família ligada ao esporte, Chilavert teve como primeiras inspirações o pai e o irmão, Rolando Chilavert, que atuou como meia e defendeu a seleção paraguaia nos anos 1980. Desde cedo, destacou-se pela forte personalidade e liderança dentro de campo, características que o tornaram uma figura respeitada pelos companheiros de equipe. Ao mesmo tempo, seu temperamento intenso também o envolveu em diversas polêmicas ao longo da carreira, como o famoso episódio em que cuspiu em Roberto Carlos durante uma partida em 2001.
Além da segurança no gol, Chilavert chamava atenção pela qualidade com os pés. Ele executava passes e lançamentos com precisão e era especialista em cobranças de falta e pênaltis, algo raro para goleiros. Sua carreira profissional começou no Sportivo Luqueño, clube de sua cidade natal. Após boas atuações, transferiu-se para o Club Guaraní, onde conquistou o Campeonato Paraguaio de 1984.
Em seguida, foi negociado com o San Lorenzo de Almagro, da Argentina, onde ganhou maior projeção internacional. Apesar de algumas controvérsias fora de campo, teve boas atuações durante sua passagem pelo clube. Em 1989, decidiu tentar a sorte no futebol europeu e assinou com o Real Zaragoza. Durante esse período, chegou a marcar um gol de pênalti, mas acabou sofrendo um gol do meio de campo após comemorar de forma exagerada. Depois de ser impedido de cobrar bolas paradas pelo treinador, deixou o clube e seguiu para o Vélez Sarsfield.
Foi no Vélez que Chilavert viveu o auge da carreira. Em nove anos no clube, tornou-se um dos maiores ídolos da história da equipe. Com grandes defesas e gols decisivos, ajudou o time a conquistar o Campeonato Argentino em 1993, 1995, 1996 e 1998, além da histórica Copa Libertadores da América 1994 — vencendo o São Paulo FC nos pênaltis — e o Copa Intercontinental 1994, derrotando o AC Milan. Individualmente, foi eleito o melhor jogador do Campeonato Argentino de 1996 e considerado o melhor goleiro do mundo em 1995, 1997 e 1998.
Já em fase mais avançada da carreira, transferiu-se para o RC Strasbourg, da França. Apesar do rebaixamento na primeira temporada, conquistou a Copa da França com o clube. No ano seguinte, ajudou a equipe a retornar à primeira divisão. Depois disso, atuou pelo Peñarol, onde conquistou o Campeonato Uruguaio na temporada 2002/2003. Para encerrar a carreira, voltou ao Vélez Sarsfield e disputou sua última temporada como profissional.
Pela Seleção Paraguaia de Futebol, Chilavert disputou as Copas do Mundo de 1998 e 2002, sendo eleito o melhor goleiro do Mundial de 1998. Ao longo de 74 partidas pela seleção, marcou oito gols e estabeleceu o recorde de goleiro com mais gols por uma seleção nacional.
Após se aposentar, Chilavert continuou ligado ao futebol. Atuou como comentarista durante a Copa do Mundo de 2006, trabalhou como consultor da seleção paraguaia e também exerce atividades como empresário de jogadores e dirigente do Vélez Sarsfield.
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4. Carlos Gamarra
Carlos Gamarra iniciou sua carreira profissional em 1991, defendendo o Cerro Porteño. Desde os primeiros jogos, destacou-se pela força física, pela segurança na defesa e pela impressionante capacidade de desarmar adversários sem cometer faltas. Não demorou para conquistar a titularidade e, em 1992, ajudou o clube a conquistar o Campeonato Paraguaio, sendo considerado uma das grandes revelações da competição.
No ano seguinte, foi emprestado ao Independiente, da Argentina, mas teve poucas oportunidades em campo. Após retornar ao Cerro Porteño, voltou a conquistar o Campeonato Paraguaio e, pouco depois, foi negociado com o Sport Club Internacional. No clube brasileiro, teve boas atuações e se destacou principalmente na temporada de 1997, quando foi campeão do Campeonato Gaúcho.
O bom desempenho chamou a atenção do SL Benfica, que apresentou uma proposta elevada para contratar o zagueiro. No entanto, sua passagem pelo clube português não foi como esperado, já que recebeu poucas oportunidades para atuar.
Com grande admiração do técnico Wanderley Luxemburgo, Gamarra aceitou a proposta do Sport Club Corinthians Paulista e chegou ao clube paulista em 1998. Foi no Corinthians que viveu o melhor momento de sua carreira. Tornou-se ídolo da torcida e impressionou comentaristas e torcedores pela facilidade em desarmar os adversários com extrema precisão. Sua atuação foi fundamental para as conquistas do Campeonato Brasileiro de 1998 e 1999.
Após o grande sucesso no Brasil, o zagueiro foi contratado pelo Atlético de Madrid. Entretanto, sua segunda experiência no futebol europeu também foi frustrante. O clube enfrentava dificuldades no Campeonato Espanhol e acabou sendo rebaixado para a segunda divisão, mesmo com a presença do defensor no elenco.
Mais tarde, voltou ao futebol brasileiro para defender o Clube de Regatas do Flamengo. Durante dois anos no clube carioca, teve boas atuações e conquistou o Campeonato Carioca e a Copa dos Campeões em 2001.
Em 2002, transferiu-se para o AEK Athens, onde conquistou a Copa da Grécia e finalmente teve uma campanha de destaque no futebol europeu. Posteriormente, foi contratado pela Inter de Milão, um dos clubes mais tradicionais do mundo. Nos primeiros anos, foi titular e participou de boas campanhas no Campeonato Italiano, além de conquistar a Copa da Itália em 2005.
No último ano pela equipe italiana, perdeu espaço no time titular e decidiu retornar ao Brasil para jogar no Sociedade Esportiva Palmeiras. Em 2005, teve grande desempenho e foi eleito, ao lado de Diego Lugano, o melhor zagueiro do Campeonato Brasileiro.
Antes de encerrar a carreira, ainda atuou pelo Ethnikos Piraeus, da Grécia, e pelo Club Olimpia. Pela Seleção Paraguaia de Futebol, disputou as Copas do Mundo de 1998 e 2002. No Mundial de 1998, foi eleito o melhor zagueiro da competição, terminando o torneio sem cometer nenhuma falta.
Após a aposentadoria, Gamarra permaneceu ligado ao futebol e atualmente atua como dirigente do Club Rubio Ñu. Seu filho, Carlos Gamarra Júnior, também seguiu carreira no esporte e atua como goleiro nas categorias profissionais do Cerro Porteño.
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3. Aurélio González
Aurélio González nasceu na cidade de Luque, em 1905, e é lembrado como um dos jogadores mais completos da história do futebol paraguaio. Atuando como atacante, destacava-se pela habilidade, velocidade, excelente finalização com as duas pernas e grande inteligência dentro de campo.
Sua carreira começou no Sportivo Luqueño, equipe pela qual atuou entre 1920 e 1926. Em 1927, transferiu-se para o Club Olimpia, onde viveu um dos períodos mais marcantes de sua trajetória. No clube de Assunção, tornou-se o principal jogador da equipe que conquistou o tricampeonato paraguaio nos anos de 1927, 1928 e 1929.
Durante a Guerra do Chaco, conflito armado entre Paraguai e Bolívia pela disputa de território, González recebeu uma proposta para jogar no San Lorenzo de Almagro. Apesar da oportunidade de atuar no exterior, decidiu recusar a oferta para permanecer em seu país e participar da guerra defendendo o Paraguai.
Após o término do conflito, retornou ao Olimpia e continuou defendendo o clube até o final de sua carreira como jogador. Pela Seleção Paraguaia de Futebol, participou da Copa do Mundo FIFA de 1930, além de disputar a Copa América 1929 e a Copa América 1937.
Seis anos depois de encerrar a carreira como atleta, iniciou sua trajetória como treinador. Assumiu o comando da seleção paraguaia em diferentes períodos: de 1946 a 1947, de 1955 a 1959 — quando classificou a equipe para a Copa do Mundo FIFA de 1958 — e novamente entre 1965 e 1974.
González também trabalhou como treinador do Olimpia e conduziu o clube à sua primeira final da Copa Libertadores da América 1960. Na decisão, porém, a equipe acabou sendo derrotada pelo Peñarol.
Aurélio González faleceu em 1997, deixando um legado importante tanto como jogador quanto como treinador, sendo lembrado como uma das figuras mais relevantes da história do futebol do Paraguai.
2. Romerito

Julio Cesar Romero, conhecido como Romerito, foi um dos grandes talentos revelados pelo Sportivo Luqueño. Ainda jovem, ganhou destaque no Campeonato Sul-Americano Sub-19, onde terminou como artilheiro da competição com cinco gols, chamando a atenção no cenário do futebol sul-americano.
No mesmo período, Romerito teve participação decisiva na campanha do Paraguai na Copa América 1979. Ele marcou o gol que eliminou a Seleção Brasileira de Futebol no Estádio do Maracanã e ainda balançou as redes duas vezes na final contra o Seleção Chilena de Futebol, ajudando o Paraguai a conquistar o título. Mais tarde, também representou seu país na Copa do Mundo FIFA de 1986, onde marcou dois gols durante a competição.
Depois de se destacar nas categorias de base da seleção paraguaia, foi contratado pelo New York Cosmos, equipe que contava com grandes nomes do futebol como Franz Beckenbauer, Johan Neeskens e Carlos Alberto Torres. Entre 1980 e 1983, Romerito conquistou duas vezes a Liga Norte-Americana e marcou cerca de 30 gols pelo clube.
Ao término de seu contrato com o Cosmos, Carlos Alberto Torres ajudou a intermediar uma proposta para que o meia se transferisse para o Fluminense Football Club. Romerito aceitou a oferta e assinou com o clube carioca no final de 1983. Rapidamente conquistou a torcida com sua técnica, inteligência em campo e capacidade de finalização. Em 1984, venceu o Campeonato Carioca e marcou o gol que garantiu o título do Campeonato Brasileiro de Futebol de 1984, considerado o maior triunfo do clube naquela década.
No ano seguinte, voltou a conquistar o Campeonato Carioca e foi eleito o melhor jogador da América do Sul. Além de títulos e torneios amistosos, Romerito consolidou seu nome como um dos maiores ídolos da história do Fluminense.
Em 1989, transferiu-se para o FC Barcelona, mas enfrentou um período difícil no clube espanhol e não conseguiu repetir o mesmo nível de atuações que o consagraram no Brasil. Posteriormente, seguiu para o Puebla FC, onde conquistou a Liga Mexicana de 1990 em sua única temporada no país.
Nos anos seguintes, atuou por diversas equipes, incluindo Club Olimpia, Sportivo Luqueño, Deportes La Serena e Cerro Corá, encerrando sua carreira profissional em 1998.
Romerito sempre demonstrou desejo de voltar ao Fluminense e chegou a se oferecer para jogar sem receber salário, mas o retorno nunca se concretizou. Em 2001, iniciou carreira política e foi eleito vereador na cidade de Luque, exercendo o cargo até 2006. Atualmente, quando visita o Brasil, costuma acompanhar partidas do Fluminense e mantém uma relação próxima e carinhosa com os torcedores do clube.
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1. Arsenio Erico
Arsenio Erico é lembrado como um dos atacantes mais completos da história do futebol sul-americano. Dono de grande técnica, velocidade, excelente finalização e um cabeceio poderoso, destacou-se como um jogador extremamente decisivo dentro da área.
Erico iniciou sua carreira muito jovem, estreando profissionalmente aos 15 anos pelo Club Nacional, de Assunção. Suas atuações chamaram atenção rapidamente e ele acabou sendo convidado para integrar a equipe organizada pela Cruz Vermelha Paraguaia, que realizava partidas amistosas em outros países para arrecadar recursos destinados à Guerra do Chaco.
Durante uma série de jogos na Argentina, seu talento impressionou dirigentes do Club Atlético Independiente, que decidiram contratá-lo. Logo em suas primeiras temporadas, Erico demonstrou enorme capacidade goleadora, marcando muitos gols mesmo sem conquistar títulos nesse período inicial.
Em 1935, sofreu uma grave lesão ao quebrar a perna, o que praticamente o afastou dos gramados durante toda a temporada. No entanto, voltou ainda mais forte no ano seguinte, marcando 21 gols em 26 partidas. Seu auge ocorreu em 1937, quando alcançou uma impressionante marca de 48 gols em apenas 34 jogos.
Seu primeiro grande título veio em 1938, quando conquistou o Campeonato Argentino de 1938 com o Independiente. Nos anos seguintes, continuou brilhando: venceu novamente o campeonato em 1939 — sendo artilheiro e destaque da competição — e também em 1942.
Depois de muitos anos defendendo o Independiente, ainda atuou por uma temporada no Club Atlético Huracán. Posteriormente, retornou ao Club Nacional, onde conquistou o Campeonato Paraguaio de 1948 e encerrou sua carreira como jogador no ano seguinte.
Durante o período em que atuava no futebol argentino, Erico chegou a receber uma proposta financeiramente muito vantajosa para defender a Seleção Argentina de Futebol na Copa do Mundo FIFA de 1938. Demonstrando grande lealdade ao Paraguai, recusou a oferta. No entanto, acabou encerrando sua carreira sem disputar uma Copa do Mundo.
Os números exatos de suas partidas pela Seleção Paraguaia de Futebol são incertos, pois muitos jogos foram disputados pela equipe ligada à Cruz Vermelha Paraguaia. Ainda assim, registros apontam que ele participou de 26 partidas e marcou impressionantes 56 gols.
Erico permanece até hoje como o maior artilheiro da história do Campeonato Argentino, com 295 gols. Sua qualidade era tão reconhecida que o lendário jogador Alfredo Di Stéfano certa vez afirmou se inspirar em seu estilo de jogo, chegando a dizer pessoalmente: “Eu sou apenas um imitador seu.”
Após encerrar a carreira como atleta, teve uma breve passagem como treinador, dirigindo o Nacional e o Club Sol de América. Em 1977, sua saúde começou a se deteriorar e, naquele mesmo ano, Arsenio Erico faleceu após sofrer um ataque cardíaco, deixando um legado eterno no futebol sul-americano.
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